Jane Eyre

 

o-jane-eyre-facebookSupõe-se que as mulheres devem ser bem calmas, geralmente, mas elas sentem o mesmo que os homens. Precisam de exercício para suas faculdades mentais, e campo para seus esforços, tanto quanto seus irmãos. Sofrem com restrições muito rígidas, com a estagnação absoluta, exatamente como os homens devem sofrer na mesma situação. E é uma estreiteza de mente de seus companheiros mais privilegiados dizer que elas devem ficar limitadas a fazer pudins, tricotar meias, tocar piano e bordar bolsas. É insensatez condená-las, ou rir delas, se procurarem fazer mais ou aprender mais do que o costume determinou que é necessário ao seu sexo.

Dando seguimento à minha maratona de livros de férias, percebi duas falhas graves da minha vida de leitora. A primeira é comum a quase todas as pessoas: li pouquíssimas mulheres, se comparado ao volum220px-jane_eyre_title_pagee de autores homens que já li. A segunda: li poucos clássicos, bem menos do que gostaria. Como toda a minha lógica de escolha de livros se baseia no tempo que tenho e na praticidade, estou aproveitando esse mês para ler o clássicos – que muitas vezes são mais longos e lentos e difíceis – e deixando os contemporâneos para serem lidos ao longo do semestre. Assim, pensando no que ler em seguida, me deparei com um livro que atacava as duas frentes de uma só vez. Jane Eyre, o clássico de Charlotte Brontë. Eu nunca tinha lido nada da autora ou de suas irmãs. Aliás, curiosamente toas as suas obras, foram escritas sob o pseudônimo masculino Currer Bell, de modo a evitar preconceitos que pudesse influenciar a opinião dos críticos acerca de seus textos.

Como já li alguns livro da Jane Austen, estava esperando algo no mesmo estilo engano de quem não tinha se dado ao trabalho de ler sobre a autora, rs. No entanto, tive uma surpresa ao constatar que estava enganada. O livro de Charlotte Brontë já começa estranho pois sua heroína é a comum, pobre, nem-feia-nem-bonita Jane Eyre. Além de tudo, a personagem oscila entre a humildade e o orgulho, entre a obediência cega e a recusa explicita de seguir regras e convenções.

Jane é narradora da história, descrevendo grande parte do seu passado, desde seus tempos de órfã renegada. Criada por uma tia que a odiava, e depois educada em um internato vivendo privações, Jane conseguiu uma educação suficientemente boa para tornar-se governanta, sendo contratada para ser a tutora de Adelle (uma jovem órfã) em Thornfield Hall. Jane, com 19 anos, se apaixona por seu patrão, Mr. Rochester (um homem quase vinte anos mais velho, btw), que, como ela, não é nenhum príncipe de conto de fadas. Feio, com corpo desproporcional, de modos ríspidos e diretos.

A história poderia se tornar um clichê romântico, mas não é o que acontece. O “felizes para sempre” não se cumpre, e Jane mostra-se, cada vez mais, uma mulher independente – ainda que sem fortunas. É um livro que contrasta, claramente, com a sua época, retratando uma protagonista que não deseja encontrar no seu par alguém superior a si, mas um igual. Não busca os confortos oferecidos por um príncipe encantado, mas deseja ser emancipada e livre.

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Charlotte Brontë (1816 – 1855): escritora e poeta inglesa, a mais velha das três irmãs Brontë. 

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1 comentário Adicione o seu

  1. teatroonline disse:

    Cara, perfeito o comentário sobre a leitura de escritoras mulheres. Eu não li essa livro, mas li O Morro dos Ventos Uivantes que é um dos meus livros favoritos! Depois pública e sua lista de letras das férias!

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