Cenas Cariocas: Parte I

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Um homem dirige um furgão branco. A janela aberta, o braço suado, bronzeado – mais que o restante do corpo – para fora. Dirige sem camisa. Com um chapéu de pescador, de jeans desbotado. Olha fixo para frente. O trânsito. Não entra vento pela janela aberta, o braço queima. O trânsito. Não anda. O homem tenta abrir a janela ainda mais, inutilmente. Revira a cabeça no banco. O couro velho grudando nas costas, o suor descendo pelo peito. O trânsito. O homem sorri quase disfarçadamente. Pega uma garrafa plástica de água. Analisa suas possibilidades… sorri, dessa vez sem medo. Tira o cinto, bota a cabeça para fora do carro – o trânsito – e entorna a água. Uma mão segura a garrafa, a outra reaproveita a água que cai e a devolve pro rosto. Audaz, abre a porta do furgão. Molha os braços, o peito. A água acaba, mas ele ainda espalha o que resta pelo corpo. Fecha a porta, recoloca o chapéu. E acelera. Andou.

(17 de fevereiro 2017)

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2 comentários Adicione o seu

  1. Adorei essa série de Cenas Cariocas!

    1. Eba! Entra na onda também!

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