Minha Querida Sputnik

 

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Em 4 de outubro de 1957, a União Soviética lançou o primeiro satélite do mundo construído pelo homem, o Sputnik I, do Baikanor Space Center, na República do Cazaquistão. O Sputnik media 58 centímetros de diâmetro, pesava 83,6 quilos e completou a órbita da Terra em 96 minutos e 12 segundos. Em 3 de novembro do mesmo ano, o Sputnik II foi lançado com sucesso, com a cadela Laika a bordo. Laika tornou-se o primeiro ser vivo a sair da atmosfera da Terra, mas o satélite nunca foi recuperado, e Laika acabou sacrificada sacrificada em nome da pesquisa biológica no espaço. (MURAKAMI, Minha querida Sputnik (Locais do Kindle 61-63). Alfaguara. Edição do Kindle)

O nome de Laika e o nome de seu satélite viajam eternamente pelo espaço, solitários, indivisos. A cadela, não mais em bandos, como seria o seu costume na terra, mas agora uma cadela que já alguma outra coisa, que não é bem um animal, mas um animal-com-máquina-e-sem-bando. Laika, esse ser unitário, produzido pelas mãos dos seres humanos, pelas muitas mãos da ciência, pelas mãos dos pesquisadores e biólogos e físicos e engenheiros, e que viaja num Sputnik, que roda pelo céu, que se mantém agregado, que foi construído – assim como a Laika que o habita – que, se cessar de ser agregado, se desfará e deixará voando pelo espaço os seus fragmentos técnicos. O livro gira em torno da individualidade – seus personagens se questionam, frequentemente, quem eles são – mas também do individualismo, da solidão e do isolamento humano que nós mesmos produzimos e não cessamos de  produzir: “Por que as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros as satisfaçam, e contudo se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?” (MURAKAMI, Minha querida Sputnik (Locais do Kindle 3287-3290). Alfaguara. Edição do Kindle).

Acabo de ler Minha Querida Sputnik, livro do escritor japonês Haruki Murakami. O livro foi recomendado por um querido amigo, quando comentei que havia devorado o Romancista como Vocação (do mesmo autor), mas que não tinha lido nenhum romance dele. Preciso aproveitar as férias, pensei. E comprei e comecei a leitura assim, de supetão. No entanto, me deparei com certa dificuldade. Fui dominada incômodo profundo e indiscernível que me fez quase abandonar o livro várias vezes. Ao mesmo tempo, no entanto, a vontade de continuar a leitura, de desvendar a esquisitice, de dar nome ao estranhamento. E quando, por fim, fechei o livro (metaforicamente, pois li em e-book) não consegui ter certeza se tinha gostado ou não. Fechei o livro como quem ainda não terminou de ler, como quem sabe que vai retornar às mesmas páginas em busca de algo, algo…

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