Esquadrinhada

pexels-photo-732435.jpegEm 2017 comecei a assinar a Revista 451, para me manter informada sobre os novos lançamentos no mundo dos livros. Hoje, logo depois de minha família ir embora depois de uma visita estendida me peguei sentada na sala, lendo a ultima edição. Pausa para que eu seja visualizada sentada no sofá, desfrutando um café, com os pés para cima, lendo calmamente. So que não era nada disso que estava acontecendo. Na realidade, eu deveria era dizer que “li”, entre aspas mesmo. Folheei loucamente entre artigos e resenhas, passei os olhos no listão dos lançamentos. Quando fechei a revista percebi que estava com taquicardia. Juro. É que recebi a edição há algum tempo e estava me martirizando por ainda não ter lido. Daqui a pouco chega outra, vou ficar com as leituras da Revista 451 atrasadas, como que vai ser, que confusão. Então sentei e li correndo, sem pausas, sem reflexões, como quem devora um salgado com mate entre um compromisso e outro. Uma porcaria.

Nesse nosso mundo parece haver uma disseminação de conhecimento acerca do que, como, quando fazer as coisas. Sobra muito pouco espaço para o querer. Você precisa ter uma agenda. Exceto que agenda está fora de moda, tem que ser um bullet jornal. Caso você não saiba o que é, trata-se de um método para esquadrinhamento do tempo que parte da ideia revolucionária de pegar um caderno em branco e anotar à mão todos os dias do ano (normalmente um por página), separando cada dia em seções de tempo. Depois você pode preencher esse incrível artefato tecnológico com os compromissos referentes a cada dia e hora, destacando-os de acordo com a sua importância. Uma verdadeira inovação de nosso século – que aliás, você precisa fazer urgentemente!

Você precisa criar seus objetivos a curto, médio e longo prazo. Esses objetivos não podem ser como as resoluções de ano (inatingíveis mas sonháveis)… Não, não, isso daí está errado. O correto é pensar em coisas tangíveis, concretas e sem qualquer glamour.

Não queira ler mais ao longo do ano: crie um desafio semanal. Melhor ainda, estipule quantos caracteres diários você vai ler. Se possível, anote quantos caracteres consegue ler a cada dia e tente aumente esse número em 10% a cada x dias. Faça um gráfico e observe a sua evolução diária, semanal e mensal! Se possível, baixe apps que controlam o seu tempo. Os pagos, de preferência. E que te mandem notificações lembrando que está na hora de você beber mais água ou de ler mais algumas palavrinhas para atingir as suas metas diárias.

Fetichizamos o tempo otimizando até mesmo o lazer. Não sobra nada, nada pode ser perdido. E aí, quando menos esperamos, nos pegamos num domingo à noite, no fim das férias, correndo com as nossas leituras de lazer como se fossem qualquer coisa de obrigatório, como se fossem um remédio a ser ingerido sem deglutição, tentando apaziguar o medo da perda de tempo, o medo de ficar para trás. Como se, cumprindo essa pequena meta, nos tornássemos um pouco menos distantes de um ideal que é vendido por aí: o supra-sumo da eficiência. Nossos corpos e desejos estão regulados em cada milissegundo.

 

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